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Um Pouco Mais

Um Pouco Mais

É complicado escrever e descrever o indescritível, mas acho que perdíamos tempo demais tentando alcançar o inalcançável, corremos pouco e cansamos rápido demais quando erámos para ser incansáveis, batemos a porta quando erámos para ser toleráveis. Apenas um pouco mais toleráveis. A situção só pedia um pouco mais de nós... e poderíamos ter vencido juntos se lutássemos um pouco mais. Só precisávamos de um pouco mais! Talvez a vida e as circustâncias tivera exigido de nós uma dose exagerada de maturidade, resistência... Não tínhamos! E não adiantaria o quanto mais procurássemos e cavássemos fundo, não encontraríamos. Sinto que já tínhamos alcançado o nosso limite, ainda que o coração permanecesse pedindo um pouco mais... E isso chega a ser tanto cômico quanto irônico, pois apesar de tão pouco tempo, não nos faltara motivos para termos amadurecido a nós e aquele sentimento teimoso que insistia em aproximar-nos, mesmo quando comprávamos vôos para nortes diferentes. Decidimos ser vulneráveis a tudo e o fogo nos consumiu como se tivéssemos nos banhado à alcool... Dessa vez não fora aquele fogo, aquele que nos manteve envoltos, aquele que nos fizera delirar e gemer durante uma madrugada ou uma tarde inteira. Haviam momentos que nem restava mais vazão para esse tipo de fogo, o devassador. Porém o fogo destruídor estava bem aceso, imperando, e para este fogo estávamos inflamáveis. Nos machucamos demais tentando concertar um ao outro, culpar um ao outro, tentando encontrar a perfeição um no outro e até mesmo em si. Como não enxergamos que o amor nos bastava? Que o ato de ser recíproco já é a maior e melhor perfeição? É tão raro encontrar isso e nós o tínhamos espontâneamente... Não nos demos nem o trabalho de entender que tantas cobranças nos cansariam, nos sufocariam, nos destruíriam... Por que chegamos ao ponto de não confiarmos mais um no outro? Aliás, já começamos sem confiança por quê?  Amor sem confiança é andar sem pernas.  Fui fraco por tantas vezes meu bem... Eu te fodi! Literalmente fodi! De todas as formas, ângulos e posições. Você também me fodeu! Alimentou minha fraqueza e me fez sentir o cara mais inseguro e impotente do universo, quando tudo que eu precisava era  sentir que você era minha, que você era o meu refúgio depois de todo caos vivido por mim, antes mesmo de te conhecer. Errei! Eu precisava esperar um pouco mais e me curar, não esperar que você me curasse. Você também chegou ferida e ambas as feridas infectaram-se, pois contactaram-se cedo demais, quando ainda estavam abertas. Elas se fecharam com o tempo... Mas novas feridas surgiram. Estamos doentes amor, mas dessa vez são nossas feridas, nos ferimos juntos e esquecemos de imunizar nosso amor. Que lamentável! Por que não pensamos nisso antes? Deveríamos e poderíamos ter nos importado um pouco mais, cuidado um pouco mais ... Essa nossa atitude medíocre que é realmente indesculpável. Gastamos a maior parte do nosso tempo achando sermos um melhor que o outro, mas só nos tornávamos melhores quando caminhávamos juntos, nos preocupávamos tanto em ter um relacionamento perfeito, sem nos darmos conta de que o que havia de perfeito entre nós estava se contaminando. Seu ego, meu ego, que negamos tanto tê-lo... Foi exatamente por ele que sem perceber, entramos numa corrida focando ganhar paralelamente. Eu quis ganhar, você quis ganhar... Mas pelo quê disputávamos mesmo?  -Pela droga da razão?! Ela é sábia, ao contrário de nós e nunca fica à favor de quem joga contra. Perdemos! Os dois perderam e o amor...? Até ele fugiu de nós, do nosso egoísmo, porque com ele nos preoucupamos tão pouco,  pouco demais. Permaneceria intacto se houvéssemos nos preocupado um pouco mais.

Miguel de Souza